Logo após escrever " SEIS ANOS" comecei a relembrar vários outros fatos da minha infância. Um em especial , dentro da perspectiva tragicômica, , não poderia deixar passar: O PIVÔ DA MAMÃE.
Minha mãe tinha um dente pivô, era o incisivo superior. Esse dente vivia caindo e toda vez que isto acontecia, minha mãe surtava. Saia com a mão na boca e gritando: Perdi meu dente! Perdi meu dente!Ninguém se mexe! Me ajudem! Cuidado para não pisar nele! E outras coisas parecidas... Grande parte das vezes era por causa de alguma coisa engraçada que a minha irmã chegava contando. Quase todos os dias a minha irmã - única e doze anos mais velha- chegava com um "causo" engraçado que havia acontecido no trabalho. Elas caiam na risada e a piada logo se transformava em tragédia por causa do pivô voador!
Eu, sendo criança, com boas pernas e coluna novinha era sempre requisitada por livre e espontânea força a procurar o pivô em baixo dos móveis. Até o dente aparecer, minha mãe não parava de esbravejar e culpar a minha irmã por tê-la feito rir demais! Achado o dente, ela o lavava na pia, colocava no lugar e começava a rir novamente, não da piada mas do acontecido. Como vocês podem perceber, eu e minha irmã somos duas sobreviventes ...
Uma vez, acho que tinha uns cinco anos, minha mãe roubou um pedaço do quebra queixo que eu estava comendo. Assim que o doce voltou para minha mão, vi um pedaço de coco enorme e tratei de colocá-lo na boca antes que a minha mãe pedisse outro pedaço. Achei o coco duro demais e cuspi. No mesmo instante a minha mãe gritou: Meu dente! Acho que engoli o meu dente! Ai meu Deus! Para tranquilizá-la fui logo mostrando a mão com o doce cuspido e o dente no meio. Ela andava de um lado para o outro e não via a minha mão. Quando parou de surtar, viu o dente na minha mão e começo a me abraçar e beijar gritando: Graças a Deus, você não engoliu meu dente!
Outra vez que ficou bem gravada na minha memória foi quando o dente dela pulou da boca quando ela estava conversando comigo. Estávamos voltando de algum lugar e chovia muito. Era chuva de verão, com aquelas pancadas repentinas e intensas. O dente caiu na enxurrada e foi ladeira abaixo. Antes que ela gritasse, saí em disparada e cerquei a terra antes do dente chegar. Fiquei lá cercando o barro até ela verificar se o dente estava lá. Não é que estava! Isto só foi possível porque a rua em que morávamos era sem asfalto.
Ela só parou de ter este problema quando caiu na rua e bateu com a boca na calçada, quebrando os dentes. Daí colocou dentadura na parte de cima e terminou com esta tragédia do pivô.
Só para esclarecimento, minha mãe teve um AVC com 29 anos e perdeu a parte do equilíbrio. Vivia caindo e quando isto acontecia ela não tinha o impulso automático de colocar a mão na frente, Caia direto como se não tivesse braços! Seus tombos sempre foram trágicos, nem dava para rir. Mas isto nunca impediu que ela tivesse uma vida normal e ainda outro filho, eu, contrariando a todos da família.
Cidinha.
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3 comentários:
Resposta do Marcelo:
> Quanto ao carisma da vovó e essa alegria que ela conseguia passar nas fotos,
> condiz totalmente com o senso de humor que ela manteve até o fim. Ela nunca
> perdeu a capacidade de rir das coisas e de brincar, nem mesmo com todos os
> épicos de drama rocambolesco que ela passou na vida desde jovem. Isso era
> admirável. Ainda é.
Oi CHEQUETÉZIMA,
atualizei a leitura do seu 'blog'. Rí até ----- faer bico, só por Deus!!!!!!!!!
Adorei, adorei, não deixe de postar suas crônicas, combinadas?
Carinhos sempre,
sua fã
arlete.
Lydia Zoboli Cidinha, que texto! A sua cara. Esperto, inteligente e com um olhar amoroso e sensível sobre suas lembranças.
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