Queridos Leitores

Queridos Leitores, abri este blog para publicar minhas pequenas crônicas do cotidiano e outros escritos que já conquistaram meus fiéis amigos e amigos de amigos. Quando fico um tempo sem enviar algo, estes meus fiéis leitores reclamam. Por incentivo deles, resolvi tornar público estes escritos descontraídos. Grande parte das crônicas, são os infinitos micos ou saias justas que já fazem parte da minha personalidade. Sempre com vocês, Cidinha.


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Para sempre relembrar

Este texto foge um pouco da proposta do blog que é compartilhar com os meus leitores amigos, as infinitas situações por mim vivenciadas e vistas pela lente do humor. Mas bisbilhotar pelas entrelinhas deste nosso mundo moderno é também COISAS DE CIDINHA. Em breve, esta cidadã brasileira pertencerá à classe social mais excluída, roubada e sem expressão, no Brasil: A DOS APOSENTADOS E PENSIONISTAS QUE ESTÃO FORA DOS CARGOS PÚBLICOS!

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" A modernidade nos encoraja a querer mais do que já temos e a sonhar em vir a ser mais do que somos. Ela aposta na nossa capacidade infindável de fantasiar. Conta com os excessos de desejo, pois propõe um sistema econômico fundado na contínua renovação dos apetites de um sistema social alimentado pelo anseio de mudar de status e de subir na vida."
                                    ( Contardo Galligaris - FSP - 24/04/03 - A Masturbação esta fora de Moda).
Hoje recebi um email de uma pessoa muito querida. Nele ela comentava sobre passar o Natal  sem dinheiro para presentes e passeios x expectativas dos filhos, familiares, amigos e colegas de trabalho.
Eu também estava deprê pelo mesmo motivo e foi aí que de repente, lembrei-me deste pequeno trecho de um texto que copiei do jornal. 
Reler o texto não me fez sair do estado deprê para o da felicidade , mas tomei consciência do quanto este mundo moderno e consumista nos ajuda a ficar insatisfeitos. O Natal deixa isto mais transparente e a grande desigualdade social fica mais evidente. Em maior ou menor grau, gasta-se muito com presentes de todo tipo, com comidas em exagero e ainda nos obriga a lidar com a culpa perante os menos abastados. Com exceção de uma pequena minoria, estamos todos no mesmo barco: trabalhando muito para sobreviver e melhorar de status ou para continuar onde conseguimos chegar com  muito esforço.
Não se deixar seduzir pela modernidade que suga a sua alma é uma tarefa árdua que beira quase ao impossível nesta época do ano.Aprendemos com os nossos pais e ensinamos aos nossos filhos que papai Noel existe e dá presentes. Romper com esta tradição é o mesmo que viver à margem da sociedade.
Com o advento da Internet, a oferta de produtos que seduzem e criam novas necessidades e desejos, triplicou. Aquele sonho de consumo esta ali se oferecendo, se mostrando e te seduzindo por 24 horas todos os dias. Para não enlouquecer é necessário estar bem atento para não se deixar contaminar pelo que rola no senso comum e te rouba a Paz.
Um Feliz e Verdadeiro Espírito Natalino para todos !

Cidinha.



terça-feira, 22 de novembro de 2011

Mania de grandeza

Uma característica marcante na família Olivares, meu lado materno, é a capacidade de dar respostas rápidas e elegantes para qualquer tipo de assunto. Minha mãe não poderia ser diferente, tinha sempre uma resposta na ponta da língua para tudo!
Certa vez, na festa de final de ano da escola infantil do meu sobrinho mais novo, Daniel, fizeram um teatro representando o nascimento de Jesus, com os alunos do pré primário.
Pais, tios, irmãos, padrinhos, amigos e todos os babões da família, disputavam a fila do gargarejo - quase sempre reservada para pais e avós, mas que na realidade não funciona assim. Quem chega primeiro vai logo sentando e guardando lugar para os demais parentes. Portanto se você é um babão convicto, deve ser um dos primeiros a chegar.
Mamãe era ariana e super pontual. Em se tratando de ver os netos no palco, não havia a menor chance dela chegar atrasada, ficava pronta duas horas antes e controlava o horário de todos os membros da casa, para não se atrasarem.
Chegamos  antes do horário e encontramos um bom lugar na terceira fila de cadeiras, bem no centro do teatro. Ao lado da minha mãe, sentou-se uma senhora muito simpática e falante, A felicidade por ver seu neto no palco, estava estampada em seu rosto com um sorriso de orelha à orelha. Minha mãe cordial mas discreta, a ouvia atentamente; _ meu neto é isto, meu neto é quilo, etc e tal.
Num dado momento a senhora avó coruja de carteirinha disse:  _ Meu neto é Jesus! 
Minha mãe, muito rápida retrucou orgulhosa:  _Meu neto é Deus!
A mulher calou-se, um tanto surpresa e ficou olhando para o palco à espera do início do espetáculo.
Eu, ao lado das duas, precisei respirar fundo para não morrer de tanto rir! 

Cidinha.

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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A Cinta Liga

Uma foto do centro de São Paulo, na década de 70, que um amigo publicou no Face recentemente, me fez lembrar das muitas histórias que vivi nas ruas do Centro neste mesmo período.
São histórias, como sempre hilárias depois que passam, como a de uma enorme cagada de pomba no meu longo cabelo longo e escuro, na porta do Bank Boston, em pleno horário de expediente, do assaltante que na verdade era um tarado( esta é boa!), do velhinho Gabiru ( gíria da época ),  que adorava pegar no meu braço para ajudá-lo a atravessar a rua e depois pedia um beijinho no vovô, ou os office boys com seus malditos elásticos de dinheiro e clipes atirados na minha bunda . Porém a melhor delas, tirando a do ladrão que era um tarado, foi a da cinta liga x mini saia com dois palmos de altura.

Em 1970 eu trabalhava na Rua 24 de Maio. Descia do´ônibus na antiga Praça Clóvis e caminhava até a 24 de Maio, atravessando a Praça da Sé, Rua Direita, Viaduto do Chá e mais até chegar na esquina com a Avenida Ipiranga. Nesta época, mesmo com um frio de zero graus, calças compridas eram proibidas no trabalho. As saias eram mini, mini, mini e ainda "Saint tropez". A minha devia ter uns dois palmos de altura. As sandálias da moda eram de salto grosso e plataforma , permitidas no verão. Porém geralmente usava sapato de salto tipo Anabela com meia fina. Detalhe: não existia meia calça. As meias eram presas com cinta liga. Esta era presa na cintura com ganchos de metal. Quatro tiras com presilhas desciam até o início da coxa e prendiam as meias.

Certa vez, em plena Rua Direita, a maldita cinta liga soltou-se da cintura e caiu. Não dava para andar, nem para prendê-la sem paralisar todos os transeuntes. Muito menos para encostar numa parede livre. Os vão livres que não eram porta de lojas, geralmente eram ocupados por homens portando placas de propaganda,  presa nas costas e frente, vendendo e comprando ouro, foto de documento e chapa do pulmão.Levantar a saia no meio da rua e pedir para alguém prender a maldita no lugar, nem pensar. Sem olhar pra nenhum lado, resolvi o problema ali, no meio da rua mesmo; tirei um pé do sapato, puxei a meia, tirei o outro pé e enrolei a maldita cinta com as meias.Coloquei a desgraçada na bolsa , calcei os sapatos e saí  com passos rápidos, quase correndo, até o meu destino, com olhos cegos e ouvidos surdos!  Mesmo assim deu para perceber que o transito de gente parou e meus ouvidos surdos escutaram por muito tempo os assovios e gracinhas da ala masculina que teimava em ser solidária e me acompanhar até quase o final da rua. Não entrei na primeira loja que encontrei porque estava em cima da hora e o meu patrão, um alemão, esquentado e taurino era muito rígido com horários.

Quando cheguei no escritório, estava com uma imensa bolha nos calcanhares, suada e ofegante. Sem descer do salto, cumprimentei o Sr. Blum, meu patrão. Dei uma ajeitada na papelada da mesa. Peguei o expediente do dia e corri para o banheiro para gargalhar até quase morrer de tanto rir. Minhas colegas de trabalho, estranhando a minha seriedade fora do comum, foram chegando e fizemos um trio com tanta gargalhada que o Sr. Blum foi checar o que estava acontecendo. Todas dissemos que eu precisava de um bandaid. Ele saiu sem entender nada e meio em dúvida sobre o estado mental saudável de suas funcionárias. Por pouco não fomos demitidas!
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Cidinha.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O PIVÔ DA MAMÃE

Logo após escrever " SEIS ANOS" comecei a relembrar vários outros fatos da minha infância. Um em especial , dentro da perspectiva tragicômica, , não poderia deixar passar:  O PIVÔ DA MAMÃE.

Minha mãe tinha um dente pivô, era o incisivo superior. Esse dente vivia caindo e toda vez que isto acontecia, minha mãe surtava. Saia com a mão na boca e gritando: Perdi meu dente! Perdi meu dente!Ninguém se mexe! Me ajudem! Cuidado para não pisar nele! E outras coisas parecidas... Grande parte das vezes era por causa de alguma coisa engraçada que a minha irmã chegava contando. Quase todos os dias a minha irmã - única e doze anos mais velha- chegava com um "causo" engraçado que havia acontecido no trabalho. Elas caiam na risada e a piada logo se transformava em tragédia por causa do pivô voador!
Eu, sendo criança, com boas pernas e coluna novinha era sempre requisitada por livre e espontânea força a procurar o pivô em baixo dos móveis. Até o dente aparecer,  minha mãe não parava de esbravejar e culpar a minha irmã por tê-la feito rir demais! Achado o dente, ela o lavava na pia, colocava no lugar e começava a rir novamente, não da piada mas do acontecido. Como vocês podem perceber, eu e minha irmã somos duas sobreviventes ...

Uma vez, acho que tinha uns cinco anos, minha mãe roubou um pedaço do quebra queixo que eu estava comendo. Assim que o doce voltou para minha mão, vi um pedaço de coco enorme e tratei de colocá-lo na boca antes que a minha mãe pedisse outro pedaço. Achei o coco duro demais e cuspi. No mesmo instante a minha mãe gritou: Meu dente! Acho que engoli o meu dente! Ai meu Deus!   Para tranquilizá-la fui logo mostrando a mão com o doce cuspido e o dente no meio. Ela andava de um lado para o outro e não via a minha mão. Quando parou de surtar, viu o dente na minha mão e começo a me abraçar e beijar gritando: Graças a Deus, você não engoliu meu dente!

Outra vez que ficou bem gravada na minha memória foi quando o dente dela pulou da boca quando ela estava conversando comigo. Estávamos voltando de algum lugar e chovia muito. Era chuva de verão, com aquelas pancadas repentinas e intensas. O dente caiu na enxurrada e foi ladeira abaixo. Antes que ela gritasse, saí em disparada e cerquei a terra antes do dente chegar. Fiquei lá cercando o barro até ela verificar se o dente estava lá. Não é que estava! Isto só foi possível porque a rua em que morávamos era sem asfalto.
 Ela só parou de ter este problema quando caiu na rua e bateu com a boca na calçada, quebrando os dentes. Daí colocou dentadura na parte de cima e terminou com esta tragédia do pivô.
Só para esclarecimento, minha mãe teve um AVC com 29 anos  e perdeu a parte do equilíbrio. Vivia caindo e quando isto acontecia ela não tinha o impulso automático de colocar a mão na frente, Caia direto como se não tivesse braços!  Seus tombos sempre foram trágicos, nem dava para rir. Mas isto nunca impediu que ela tivesse uma vida normal e ainda outro filho, eu, contrariando a todos da família.

Cidinha.


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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Milly Lacombe - Uma quase parente

Queridos amigos leitores, esta publicação foge um pouco do estilo que vocês estão acostumados, já tenho há uma semana um cronica prontinha para publicar - O Siso da Mamãe - porém ao ler o caderno "COMIDA" da FSP, não resisti compartilhar com vocês neste espaço.
A Milly é irmã do meu genro. Porém apesar de sermos quase parentes,  temos poucas oportunidades de conversar pessoalmente. Sou fã de tudo o que ela publica. Só não li ainda o seu último livro, infelizmente.
Cada vez mais, acredito que a minha filha Fabí,  entrou para a família certa; pelo menos a mãe e a Milly, pagam lá seus micos de vez em quando... São italianos e nós espanhóis - o que resulta numa família que fala pelos cotovelos e sem medo de errar!
No caderno "Comida" de hoje, além das deliciosas receitas que sempre são publicadas, havia um artigo sobre cachaça. Neste artigo tem o depoimento da Milly. Achei muito legal e resolvi postar para vocês! Infelizmente é só um resumo porque não consegui "colar" direto da folha.
Aqui vai o resumo:
 " DO DIA EM QUE A CACHAÇA ME FEZ VOLTAR A ACREDITAR NA HUMANIDADE
Meu apego pela cachaça começou há sete anos, quando passei a frequentar o sul de Minas Gerais.
...Alternandocom goles de cerveja, acabei me apegando ao gosto e introduzi a cachaça à rotina etílica do fim de semana.  ... Um telefonema finalmente fez com que toda essa involuntária preparação ganhasse cor. Era o convite para fazer uma degustação de cachaça para o Comida.
À mesa com mais de uma dúzia de copinhos ao alcance das mãos, e acompanhada de três craques do gole - Manoel Beato, sommelier do Fasano, Mauro Marcelo Alves, jornalista especializado em bebida, e Leandro Batista, mestre-cachacista - eu me senti como um garoto que é convidado para bater bola com Neymar e Ganso.
...quando vi Beato e Mauro com um potinho vazio no colo...O que é isso? , perguntei. "Para cuspir"... Mas vocês não engolem?
Em mim, se houve uma dúvida em relação ao que fazer, ela não durou um segundo: estava dicidida a engolir. E. assim, encarei os dez copinhos, que viraram 14 no decorrer da degustação.
A consciência de que estava bebendo as melhores cachaças, com os maiores especialistas,ouvindo um cachacista dar explicações técnicas, minuciosas e apaixonadas, e que ainda receberia por isso, me fizeram voltar a acreditar na humanidade. "  .
Eu estive nesta mesma fazenda, Dona Carolina,em Itatiba-SP,  no ano passado com a Pat e o Mauro( meu genro). Eles estavam passando férias lá e eu e Gil , my husband, fomos no Sábado, para uma visita ao local. Tirei fotos legais do alambique e aprendi a diferença entre pinga e cachaça; a pinga passa por uma filtragem apenas, já a cachaça passa por três e depois é armazenada em barris de madeira. Conforme o tipo de madeira, muda o sabor da cachaça. Depois de conhecer o alambique, fomos todos até o bar para degustação dos diferentes tipos de cachaça e compras. Junto com a degustação, eles servem uma pimenta vermelha "biquinho", que parece uma pitanga pontuda e de sabor leve e adocicado. Dizem que é para limpar o paladar entre uma e outra degustação.Provei meio desconfiada e comprovei que, além de não ser ardida é deliciosa.
No texto da Milly, ela comenta que se apresentou como conhecedora e degustadora de cachaça há dez anos e em  plena saia justa, diante do potinho para cuspir, que ela desconhecia,  não titubeou e matou 14 copinhos!  Ela não comentou se saiu carregada, mas se saiu "alta", com certeza foi com muita classe!  Cheguei até a me sentir muito íntima dela, com diferenças à parte, porque sou do tipo que fico bêbada com um licor...
Eu degustei três tipos, fiquei bem "alegrinha" mas mantive a classe!  A Pat  além da degustação, ainda matou um drink , feito com cachaça e licor Blue.  Aprendi como deixar o azul em cima; as bebidas são adicionadas por densidade. Descobri que preparar coquetéis requer um pouco mais de conhecimento além de apenas dosar as bebidas. Para uma novata degustadora de destilados, achei o must!
A Pat e Gil, saíram inteiros. Costumo brincar que são os alcoólatras da família . Apesar de ter um apuradíssimo paladar, taí  uma profissão que eu jamais poderia ter: degustadora de bebidas alcoólicas!
Na volta do tour, para quem apreciar, tem degustação de café da fazenda moído na hora! Para os que estão "alegrinhos", aconselho tomar amargo!
Cidinha.

sábado, 15 de outubro de 2011

Origem do nome " Coisas de Cidinha"

    

Dentre os inúmeros nomes sugeridos pela Pat, minha filha, este ficou o tempo todo martelando na minha cabeça. Por fim optei por este nome para o blog. 
É muito interessante como uma frase ou nome, que cai no senso comum, fica registrado em nossa mente e brota como uma novidade repentina. É assim com o nome que escolhemos para os filhos. No momento da escolha, acreditamos que estamos sendo originais e que só os nossos filhos terão aquele nome. Colocamos nos filhos os nomes que estão na "moda", sem nos darmos conta disto. Quantos Marcelos há nascidos na década de 60? Quantas Patricias, Fabianas, Alessandras, Melissas nasceram na década de 70? Quantos João Henrique, João Vinicius, Marcos Paulo, Pedro Henrique, Luis Henrique e mais nomes duplos há nascidos na década de 80? Agora voltamos para Maria, João, Francisco, José , Pedro... 
Foi isto o que aconteceu com "Coisas de Cidinha". Foi a Arlete quem primeiro batizou os meus escritos com este título através de um email de 2 de Dezembro de 2007!  O nome ficou registrado em minha mente, soou agradável no momento e depois de mais de três anos, brotou como uma novidade. 
Abaixo estou reproduzindo a resposta que enviei para o email da Arlete :
Arlete,
Só agora pude ler o seu último email. Gostei da grife! Você ainda não conhece nem 1% do que é "coisas de Cidinha". Essas "coisas de Cidinha", geralmente viram o assunto principal, com os devidos exageros, por toda a família, meus amigos e até amigos dos meus amigos.
Uma vez, uma amiga da minha prima e vizinha de chácara, apareceu, no final do domingo em minha casa. Eu estava maravilhosamente cheia de terra da horta  e a estranha visita não resistiu ir embora sem antes me conhecer.  Ela estava ali presente, parada na porta, para saber quem e como era a famosa Cidinha, protagonista das histórias malucas que contaram por boa parte da noite.
Fiquei imóvel sem saber se convidava a visita para entrar, se deveria me sentir lisonjeada ou se matava a minha prima!
Resolvi conhecer alguém mais louca do que eu e a convidei para entrar. Todos estavam envolvidos numa jogatina pós ressaca e eusinha, imunda da cabeça aos pés, calmamente lavei as mãos, rosto e pés e desci para preparar um cafezinho para esta visita tão íntima!
Ainda bem que nesta época meus bichos; touro, leão e cavalo, só afloravam quando eram muito cutucados...Se fosse hoje ela poderia ter levado uma chifrada, mordida ou coice! rsrsrsrsr... .

Este email foi escrito num momento em que eu estava arrancando as asas das moscas que passavam perto. Ainda bem que já passou!

 Cidinha.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Seis anos

Muitos dos meus leitores sabem que tenho um sério problema com papéis. Sempre guardo tudo que acho interessante e a mesa vai ficando abarrotada de coisas.
Os jornais lidos vão para a Angel (minha cadelinha/neta). Não que ela goste de leitura de jornal, mas porque foi acostumada desde bebê a usá-los como "banheiro".
Meu vício em papéis é tão grande, que por diversas vezes, ao pegar uma folha de jornal pra descartar, encontro um artigo que já li e não dei muita importância na época, mas que no momento vejo-o com outros olhos.  Foi isto o que aconteceu hoje. Um artigo de Rosely Sayão "Mudança de comportamento" - FSP - Caderno Equilíbrio, me fez lembrar do enteado da minha filha mais velha. Ele completou seis anos na semana passada e várias citações do texto, se encaixavam direitinho em seu momento de vida: "Na crise dos seis anos, a criança manifesta sua angústia por meio de rebeldia, dependência e medo..."  
 "... O primeiro fato a ser lembrado é que essa idade sinaliza uma passagem: a da primeira infância para a segunda. Caro leitor, você acha que é fácil se despedir dos primeiros seis anos da vida?"

Estas frases também me fizeram voltar no tempo. Os seis anos dos meus filhos e depois os meus. Onde eu estava quando meus filhos estavam nesta fase? Lembrei-me, então, que eu também estava num momento de passagem: Da maternidade para a construção da vida material. Em seguida comecei a relembrar os meus seis anos.
Três fatos marcantes aconteceram nesta época: a internação da minha mãe por trinta dias num hospital,  concomitante com o atropelamento do meu pai. A minha hospedagem forçada  na casa da minha avó paterna e a minha entrada para a escola primária.
                         
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Vou começar contando sobre a internação da minha mãe:

Perto do final do ano, minha mãe internou-se na Santa casa de São Paulo - Capital,  para fazer uma cirurgia de bexiga e períneo. Não sei por qual motivo, ela ficou um mês internada entre a cirurgia e o pós cirúrgico. Eu fiquei na casa da minha avó paterna. Meu pai ou minha irmã, que é mais velha doze anos, revezavam-se para me buscar no final do dia para dormir em casa.
Após uma semana da internação da minha mãe, meu pai sofreu um acidente de trabalho . Ele era funileiro e uma farpa de metal entrou no seu olho, perfurando-o.  Por sorte não danificou a visão. Só precisou usar um tampão até o olho cicatrizar.
Certo dia, ao visitar a minha mãe no hospital, meu pai não viu o ônibus e foi atropelado. Não quebrou nada mas precisou ficar internado por um tempo que não me lembro. Com pai e mãe no hospital,  eu e minha irmã passamos a morar na casa da minha avó Henriqueta, mãe do meu pai. Uma história trágica e cômica ao mesmo tempo. Tranformar em cômico algo que poderia ter sido trágico, é herança de família!
Resolvi desmembrar " Meus Seis Anos" em capítulos curtos, para não ficar muito longa e facilitar a leitura.

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Capítulo I - A casa dos meus avós
                                                                       
                                                  
 A casa da minha avó Henriqueta era uma casa séria, só havia adultos e todos tinham horário rígido para tudo. Havia o horário do café da manhã, do almoço, do lanche da tarde, impreterivelmente às 15 h,  do jantar e da ceia. Era uma rotina inquebrável! Moravam com ela um tio solteiro (Juan) e o caçula (José Maria), casado mas sem filhos. Meu avô havia morrido quatro anos antes do meu nascimento. Lembro-me que na minha visão infantil achava que o tio João/Juan era o marido da minha avó. Tinha um certo receio dele e achava-o muito sério e calado. Hoje ele mora na Espanha. Nunca se casou e é o único dos irmãos, oito ao todo, que ainda vive. Qualquer dia quero escrever sobre ele; uma figura fantástica e cheia de energia que só descobri depois de casada.
 Na casa vizinha moravam a Tia Henriqueta com o marido (tio Diego) e quatro filhos adultos. Lá era mais animado, mas eu era proibida de ir até lá sozinha. Próximo, mas necessitando de umas boas pernadas , morava a tia Dolores. Ela destoava um pouco da família. Falava alto e suas conversas eram recheadas de palavrões. Quase tudo para ela era motivo de piada e as reuniões eram sempre regadas com muitas risadas de todos.
Na casa da minha avó,  havia um jardim de inverno com poltronas, onde todas as tardes minhas tias se sentavam para conversar, bordar ou fazer trabalhos manuais. Havia um cachorro da raça Colie, era o Dick. Pertencia ao meu tio João/Juan. O Dick e um banquinho de madeira eram os meus únicos companheiros de brincadeiras.Carregava o banquinho no colo, como se fosse uma boneca, o tempo todo. Meus brinquedos haviam ficado em casa e ninguém teve ideia de ir buscá-los! O lado bom de ser criança é a fértil imaginação para se distrair com qualquer coisa, um banquinho com quatro pernas, dá uma excelente boneca! 
Estava acostumada com liberdade. Podia sair na calçada e brincar na rua sem asfalto com outras crianças. Vivia descalça e visitando os vizinhos que tinham bebes. Adorava bebezinho e adorava ainda mais, raspar as panelas de mamadeira deles. Na casa da minha avó, jamais podia sair sem a presença de um adulto até o portão ou no jardim da lateral da casa. Subir no muro, nem pensar! Hoje entendo a preocupação e responsabilidade deles, mas aos seis anos, sentia-me numa prisão e os via como carcereiros.
Minha irmã trabalhava na farmácia Drogasil. Tinha horários alternados. Numa semana até 19:00 hs e noutra até 22:00 hs.  Ela vinha almoçar em casa, mas era bem rápido. Foi nessa época que ela conheceu o meu cunhado. Nos finais de semana, me levava para passear com o novo namorado. Eu era uma "segura vela", gíria da época sobre acompanhantes de um casal de namorados.
Este curto período de tempo, representou uma  mudança radical e infeliz em minha vida. Se pudesse escolher teria ficado com a minha avó materna (Joana). Porém  naquela época, as crianças desempenhavam um papel secundário na família. Só podiam brincar no quintal, nunca se sentavam à mesa com os adultos e jamais lhes era permitido interferir ou mesmo escutar conversas de adultos. Portanto ninguém havia me explicado por quanto tempo eu ficaria ali e longe dos meus pai
Os dois lados da família é de origem espanhola. Mas suas moradias e modo de vida eram bem distintos. A casa dos meus avós maternos era mais simples, embora grande e com um terreno enorme. Pegava duas ruas e no fundo havia três casas de quarto, sala e cozinha, alugadas. Os inquilinos entravam por uma lateral separada por uma cerca de hibiscos e arame farpado. A mesma cerca também dividia a moradia dos meus avós dos inquilinos. Tinha pomar e galinhas. Meus dois tios solteiros com idade quase aproximada da minha irmã, me paparicavam muito. Dançavam com a minha irmã e tias ao som da antiga Rádio Tupi. Na casa não havia luz elétrica e o rádio só funcionava porque era próximo da torre da Tupi. Era uma casa cheia de filhos , netos e amigos. Minha avó Joana era tímida mas muito divertida, tranquila e amava cozinhar. Tinha sempre latas de 20 litros cheias de doces. Ela amava plantas e tinha um jardim todo florido. Eu era a única neta, entre os muitos primos da minha idade,  que podia colher flores do seu jardim. Este era o privilégio por morar longe e só visitá-la uma vez por mês!

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Capítulo II - Rebeldia de uma criança taurina

Havia um costume na minha família paterna, que meus pais nunca aceitaram : Dentre várias crianças, uma era escolhida para ser mimada , geralmente a mais quetinha, arrumadinha, delicada e que gostasse de cantar, dançar e aprender curiosidades do tipo criança prodígio. As outras eram ignoradas. Minha irmã teve esta sorte. Eu era o tipo oposto. Inquieta, bagunceira , amava a liberdade e ficar descalça. O "capricho" com as coisas passavam longe de mim. Era do tipo que sempre furava os olhos das bonecas para saber como era por dentro! 
Certo dia, estavam todos sentados no jardim de inverno. Meu tio José Maria estava em casa , no portão da rua, observando o movimento. Acho que era fim de tarde. Eu saí pela porta de vidro do jardim de inverno para o quintal da frente, enquanto todos conversavam. Ao sair ,  sem querer bati a porta. Meu tio foi atrás, gritou comigo e me fez voltar para fechar a porta direito. Voltei e bati a porta com tanta força que os vidros quase explodiram. Saí correndo para a rua e ele atrás. Quando me alcançou, deu um tapa no meu rosto. Eu voltei correndo e chorando, todos estavam assustados no portão. Entrei  gritando a todo pulmão:  - Odeio vocês! Quero ir para a casa da minha avó Joana. Lá ninguém me bate! Quero o meu tio Dinho e o meu tio Nicacio...odeio vocês!  - Dá para imaginar uma crianças taurina e rebelde descontente? Acho que em menos de cinco minutos passados,  meu tio já estava arrependidíssimo por me fazer voltar e fechar a porta direito!
 Fiquei uma infinidade de tempo, sentada, olhando para baixo e chorando sem parar. Minha avó e tias estavam desesperadas. Tentavam de tudo para me alegrar. Até rabanada, que eu amava, minha avó fez e nada. Chorei até não aguentar mais , meus olhos nem abriam de tão inchados. Não fui para a cama até a minha irmã chegar. Nesta semana ela estava de plantão até as dez da noite e eu estava acostumada dormir antes das oito. Lembro-me da minha alegria quando ela chegou. Só então comi as rabanadas e adormeci.
Hoje, ao lembrar desta "tragédia", morro de rir só em pensar o tumulto que causei na rotina pacata da casa. Foi como jogar merda no ventilador. Sobrou para todo mundo!

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Capítulo III - Papai Noel Não Existe


Logo chegou o Natal. A dona Eunice, uma senhora inglesa, que praticamente havia me adotado como sua companheira de passeios, apareceu para me levar e participar da festa natalina da igreja.  -  Ela foi uma das figuras mais marcantes da minha infância. Era alta, de quadris enormes, loura e com cabelo comprido sempre preso num penteado que, na época chamavam de banana. Seu gestos eram um tanto estabanados, o que lhe causava muitos tombos pela rua.  Apesar de ter ultrapassado em muito a casa dos trinta, era solteira.  Seu pai além de professor de ingles, era o fundador da igreja evangélica presbiteriana do bairro e ela dirigia  uma escolinha dominical para as crianças no mesmo local. Foi dela que recebi os primeiros livros de leitura. Eram uns livrinhos com o formato dos bichos da capa. Tinha pilhas deles! Também foi na escolinha dela que conheci histórias da bíblia para crianças. Meus pais eram católicos mas permitiam que frequentasse a escolinha . A Dona Eunice, seu pai e sua pequenina mãe (escritora) , eram figuras ímpares no bairro. Um dia vou escrever sobre as muitas histórias que vivenciei com esta família de Liverpool / Inglaterra..
Voltando ao assunto: Na hora do canto natalino, ensaiado pelas crianças e menos por mim por estar fora de casa, minha vela encostou na manga do vestido de nylon de outra menina e pegou fogo. Todos correram para acudir e a mãe dela quase me bateu. Lembro-me de ter ficado muito assustada e totalmente desamparada. Senti uma enorme falta da minha mãe para me proteger. ´Desta festa só gravei esta cena e não sei como e com quem voltei para casa. Continuem lendo porque tem mais "desgraça" pela frente!
Eu, aos seis anos  ainda creditava em Papai Noel e cegonha. Toda manhã de Natal, corria para abrir os presentes por ele deixados.Adorava sentir aquele cheiro de plástico novo das bonecas!  Porém neste Natal, exceto pela minha tia Dolores que me presenteou com um joguinho de chá e café, não havia presentes do Papai Noel. Eu estava indignada! Sem mãe, sem pai , rodeada de adultos chatos e sem Papai Noel? Para completar a minha irmã em toda a sua sabedoria de dezoito anos, contou que Papai Noel não existia. Nem sei como sobrevivi a esta notícia!

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Capítulo IV - Entrada para a escola primária


O terceiro fato marcante dos meus seis anos foi a minha entrada para a escola: Catastrófica!
Como faço aniversário em Maio, entrei com seis anos na escola primária. Não fiz jardim da infância e fui direto para o primário sem saber escrever nem a primeira letra do meu nome. Lembro-me que no dia da matrícula, subia e descia da rampa de gramado entre a cerca e o prédio da diretoria . Quando a minha mãe foi conhecer todo o espaço externo da escola,  fiquei deslumbrava com o tamanho do "quintal" .  Estava ansiosa pelo início das aulas e por colocar o uniforme de saia bege, camisa branca , gravata, meia tres quartos branca , fita na cabeça e sapatos vulcabrás pretos!
No primeiro dia de aula, a professora Dona Semira, uma mulher chiquérrima, magra, de saia justa, salto agulha e cabelo louro e preso foi nos buscar, já em fila no páteo, para conhecermos a sala de aulas.   Éramos só meninas, somente no terceiro ano é que surgiu a novidade de classe mista. Assim que entramos ela colocou as menores nas primeiras filas de carteiras e as maiores no fundo. Eu fiquei bem na frente!  Ela colocou umas bolinhas na lousa e disse que era para copiarmos no caderno. Eu, inicialmente, fiquei totalmente envolvida com a tarefa. Depois de umas cinco linhas, já estava enjoada. De repente, a professora deu com uma comprida  régua de madeira  na mesa,  para pedir silêncio. A classe toda estremeceu e todas as crianças emudeceram imediatamente.
Depois de um tempo, no mais completo silêncio e eu já de saco cheio de fazer bolinhas no caderno, soou um sino estridente. Era o aviso para o recreio. Ninguém se mexeu porque acho que não fazíamos a menor ideia do que era recreio.A professora, que estava o tempo todo andando de carteira em carteira, observando o desenvolver de cada aluno, avisou que todos podiam sair para comer o lanche.Era para formar fila. Os que não tivessem terminado a lição, não poderiam sair. Nem ouvi esta última parte. Levantei e segui as demais colegas. Quando cheguei na porta fui barrada. A professora me fez voltar para terminar a lição. Disse que eu poderia sair assim que terminasse tudo " uma página cheia de bolinhas". Acho que eu  era a única lerda da turma, porque só eu não havia terminado a lição das malditas bolinhas.  Todos saíram, incluindo a minha amiga e vizinha Nancy. Fiquei sozinha sem entender nada do que estava acontecendo. Assim que a professora saiu da sala, fiquei apavorada e saí correndo. Achei um buraco  na cerca de alambrado e fugi atravessando uma avenida e correndo até chegar em casa.
Quando cheguei em casa, quase apanhei. Só fui salva porque,  em seguida apareceu a minha amiga Nancy.  No dia seguinte,  fui para a escola arrastada.  Minha mãe chamou a diretora para conversar. Um servente me levou até a fila da classe, no pátio da escola. Todos cantavam com a regência da professora de orfeão, Dona Carminha. Eu estava apavorada e com muito medo da professora com a sua enorme régua. Quase fugi novamente, mas segui a fila até a classe. A aula começou e, para minha felicidade, a professora ignorou a minha fuga no dia anterior. Minha amiga de tanto medo, não pediu para ir ao banheiro e fez coco na calça. Foi terrível! Por causa disto ela foi motivo de risos por muito tempo.  Acho que foi aí que aprendi a me defender, batendo em qualquer colega que me provocasse. Virei uma espécie de Mônica com Magali. Era magra e comilona como a personagem Magali, do Maurício de Sousa e briguenta como a Mônica. 
Já imaginaram situações como estas, muito comuns na época, em tempos atuais? Nem dez anos de terapia daria conta de resolver, meu tio seria punido por maus tratos, a professora processada e minha amiga vítima de bulling!
No entando, depois de dois meses , todas disputávamos o direito de levar o material da professora na saída como se ela fosse uma rainha. Naquele tempo (l960), o professor era um deus para seus alunos!

                                                                 FIM

Cidinha.



quinta-feira, 6 de outubro de 2011

DIA DE CÃO

Queridos leitores, esta foi a crônica que deu início ao costume de enviar minhas histórias de micos, para os amigos e familiares. Escrevi em 2009 e acho que a maioria de vocês já conhece. Porém se estiverem a fim de rir novamente relembrando, aqui vai:

Dia de Cão

Na terça-feira passada a Patrícia, minha primogênita, estava de folga e me convidou para visitarmos a famosa grife BR (Bom Retiro).
Fiquei um pouco na dúvida porque nas folgas da Patricia tem sempre algo que não sai como o previsto por ela. Exemplo: se aluga um monte de filmes para ficar em casa sem fazer nada, a luz acaba. O mesmo acontece quando resolve dar um trato nos armários ou no físico. Noutras já passou mal do estômago ou intestino e noutras se desgastou no mecânico por conta de conserto do carro.
Colocando em prática meu lado otimista resolvi acompanhá-la no BR. Saímos por volta de onze horas da manhã. A ideia era voltarmos antes do rodízio do carro dela.
A primeira surpresa foi saber que tínhamos  que estacionar o carro num lugar mais alto porque caso chovesse muito o BR tem vários pontos de alagamento. Isto inclui disputar espaço físico com ratos e baratas que também tentam um lugar seco. Olhei para o céu e ele não me pareceu muito amistoso, embora estivesse um sol de rachar. Continuamos ...

Como ela já foi produtora de moda por oito meses, conhece o BR canto por canto. Na zona da elite BR almoçamos  duas esfihas cada uma , refri e um picolé de frutas. Depois partimos para as compras ( aviamentos, bijouterias, lenços e cintos). Terminamos por volta de quase quatro da tarde.
Ainda no caixa ouvimos o mundo cair lá fora. Era uma p chuva!!!!!  Não pensei duas vezes e comprei o maior guarda-chuva/sol que encontrei. O objetivo era não molharmos nem os dedos dos pés. Principalmente o meu que estava usando sandália rasteira.
Na porta da loja surgiu o primeiro imprevisto/visto; havia mais de um metro de água entre a calçada e o meio da rua e outro tanto na outra margem.
 Um senhor um pouco atrás de nós,  gritou que o cano do esgoto havia estourado. Dava até para sentir o cheiro...
 No desespero de atravessarmos a rua antes do esgoto chegar,  enfrentamos o "mar de água". Ai minha rasteirinha!Ai meu pé limpo! Ai tenis novo da Patrícia!  Bem... antes tenis porque não sai do pé!
Preparados para rir muito?  Porque de agora em diante vai ser um mico atras do outro...
Assim que atravessamos a primeira margem, minha sandália saiu do pé e ficou na rua entre os carros. Dei ré bruscamente, o que significa que Pat e guarda chuva continuaram. Calcei a infeliz rasteirinha, dei mais dois passos e  ela ficou novamente no asfalto. Voltei  e de tanto rir, fiz xixi. Não deu para segurar. Estava há horas sem ir ao banheiro! Com o vento empurrando o longuinho roxo,  para o meio das minhas pernas, os dois lados do vestido ( frente e costas) ficaram com duas enormes marcas ovais!
 A Patricia me aguardando na outra margem,  se curvava de tanto rir e se curvou ainda mais quando contei que estava toda m......pqp! Ainda bem que o carro tem bancos de couro e tinhamos sacola plástica.....
No carro ligamos o rádio. Soubemos que São Paulo estava alagada e em estado de calamidade pública, incluindo o ABC. Excelente notícia para quem esta molhado, mijado,  com água de esgoto nos pés e em dia de folga do trabalho! Decidi que o único meio de sobrevivermos à catástrofe era usar de todo o meu senso de humor , caso contrário a Pat iria surtar.
Depois de quase tres horas no mesmo lugar, próximo da Av. Rio Branco, com o carro todo embaçado, vidros escuro fechados , motoqueiros fazendo mil acrobacias entre os automóveis e  meu estoque de piadas quase se esgotando, a Pat viu um boteco no outro lado da avenida  e saiu  em disparada do carro em direção ao bar. Cabe aqui comentar que a Pat com fome ninguém segura. É mais rápida do que a velocidade da luz!
  Tranquei todas as portas e começei  a distribuir objetos de valor pelo carro todo com medo de arrastão. Ao mesmo tempo,  rezava  para o trânsito continuar estático. Depois de quase meia hora e nada de Patricia, o trânsito começou a se movimentar. Pulei  no banco do motorista , fui encostando e deixando todos passarem, incluíndo um enorme ônibus. Neste instante, ouvi uma forte batida no vidro e gelei. Era a Patrícia com água, sanduiches e chocolates. Entrou e sentou tão de pressa que mal tive tempo de pular para o outro banco. Como castigo pelo susto, sentou num banco todo mijado!
Após quase quatro horas sem praticamente sairmos do lugar a Pat teve a brilhante idéia de ligar para um amigo fotógrafo que tem estúdio próximo da Praça da República, onde ainda estávamos. Para meu azar, ele estava no local. Rezei para  que ele estivesse sozinho. Minha vontade era tirar a roupa íntima e jogar para fora da janela com toda a platéia do ônibus, que teimava em ficar em paralelo conosco, assistindo. Resolvi parte do problema despejando colônia acqua Fresca , que sempre carrego comigo em embalagem de bolso, por todo o  vestido.
Chegamos no amigo fotógrafo. Ele nos recebeu de braços abertos. Eu procurando ficar longe de qq corrente de vento. Na outra sala, após ele nos fornecer uma toalha e chinelos, demos de cara com um monte de  gente.  Estavam todos envolvidos com fotos para um ensaio de moda de uma marca. Havia maquiadores, modelos, avó de modelo, produtores de moda e as donas da marca. Duas jovens espertas, falantes e simpáticas.  Maravilhoso!  Era tudo o que eu precisava naquele momento...
Lembram quando eu falo que o meu santo jamais me abandona? Pura verdade!  Depois de um oi bem de longe entrei no banheiro e enquanto isto todos saíram para comer algo no bar ao lado. Aproveitei para lavar o vestido, rosto, pés, sandália e substituí a minha calcinha por uma bermuda de cinco reais que havia comprado. A Patricia viu um ferro e uma tábua de passar, na saleta ao lado e secou em parte meu vestido, enqunto eu aguardava no banheiro. Tudo isto com muitas gargalhadas...
Quando eles voltaram eu estava sentada em meio a bolsas e sacolas, num canto do sofá e de onde só pretendia levantar para ir embora.

Tirando mortos e feridos, até que a visita foi lucrativa. Graças à propaganda da Patricia as donas da marca me convidaram para um próximo trabalho, fornecendo material de arte para o cenário das fotos. Trocamos e-mails e nos despedimos de todos. Eu obviamente, sempre me mantendo um pouco afastada e rodeada de sacolas.

Chegamos em casa quase meia noite. A luz havia voltado fazia pouco tempo.  O Gil, meu compreensivo e tranquilo marido, estava dormindo com as cachorras no colo e o chão da cozinha e sala cobertos de pingos de vela. Uma beleza! 

Quando estava no banho, coisa de só cinco minutos depois da chegada a luz acabou novamente!  A Patricia estava com o cabelo todo molhado, unhas por fazer e precisava abrir a loja, logo cedo, no dia seguinte.  Vai ser azarada assim nachina!

Meu primeiro pensamento foi ficar bem longe quando ela estiver de folga do trabalho. Porém  ao acordar,  encontrei pregado na porta do quarto  um bilhete de agradecimento pela companhia , pelo senso de humor e terminando com: Mãe eu te amo! No mesmo instante percebí que passaria tudo de novo só para ter outro bilhete deste!
Cidinha.

sábado, 17 de setembro de 2011

Lembranças

por Aparecida Orozco Corrêa, sexta, 2 de setembro de 2011 às 03:05
Ontem, lendo a FSP, caderno Ilustrada, vi uma reportagem sobre os 37  cromos,  esquecidos pelo tempo,  sobre o incêndio do Edifício Joelma, em São Paulo. Imediatamente voltei no tempo e relembrei exatamente como recebí a notícia.
Na época eu e Gil morávamos no RJ. No dia fatídico, eu estava com uma baita cólica menstrual e passei o dia na cama sem ligar a tv. Não tinhamos telefone fixo e celular não existia...O Gil chegou à noitinha, todo apressado e surpreso por eu não estar pronta para partirmos para São Paulo. Foi aí que fiquei sabendo do incêndio.Enquanto arrumava as coisas, via na tv as imagens e os comentários. Tudo em branco e preto!
Tinhamos vários amigos trabalhando no prédio, incluindo a minha amiga Marilene. Pegamos um ônibus na rodoviária e partimos o mais rapido possível para a casa dos meus pais. Foi um alívio saber que a Marilene estava bem e em casa. Nossos outros amigos e colegas de trabalho do Gil, também.
O incêndio foi no dia primeiro de Fevereiro de 1974. Interessante que só agora me dei conta do dia da minha última regra antes de engravidar da Pat...Fiquei grávida em Fevereiro e ela nasceu em 18 de Novembro de 1974 .
A minha amiga, Marilene, foi resgatada pelos bombeiros, de helicóptero,  no telhado do prédio. Ela estava, o tempo todo,  com duas amigas de braços dados. Ambas morreram no incêndio, infelizmente.Na corrida para fugir das labaredas, uma delas caiu na lage. A temperatura da lage derreteu bronze. Isto significa que estava mais de 900 graus centígrados! A outra se atirou ou caiu do prédio. A Marilene salvou-se porque ficou calma e lúcida o tempo todo. Ficou com um grupo que se revesava para respirar, deitando no chão embaixo das pernas de outro colega. Minha amiga disse que quando era a sua vez de deitar,  ela se imaginava numa praia e o calor era o sol. Foi assim que manteve o equilíbrio emocional o tempo todo. Salvou até a bolsa com os documentos!
No edifício funcionava a Crefisul, ligada ao City Bank (Citibank). Se o Gil não tivesse sido transferido temporariamente para o Rio, poderia estar no prédio neste dia...
Dois anos antes, teve o incêndio no edifício Andraus. Assisti tudo pela janela do escritório da Braswey, na rua São Bento, onde trabalhava. Foi terrível! Vi "roupas" sendo atiradas do alto. Mais tarde soube que essas "roupas" eram pessoas.
Eu trabalhava no 15o andar do prédio que ficava na rua São Bento e tinha saída para a rua Casper Líbaro, ao lado do prédio Mertinelli. Lembro-me de uma secretária da diretoria que levou uma corda para o trabalho por prevenção. Todos ficamos um bom tempo apreensivos com a possibilidade de um incêndio no nosso prédio.
O incêndio destes dois edifícios, num prazo de dois anos, foi muito marcante. Quase todos que trabalhavam nos edifícios do centro de São Paulo, ficaram preocupados com a precariedade na questão da segurança contra incêndios nos prédios do centro de São Paulo.
Depois de reformado, a Crefisul voltou a funcionar no Edifício Joelma. No Citi havia comentários de "assombração" no Joelma. Diziam que tarde da noite, os elevadores subiam sozinhos e desciam, sem ninguém dentro.
Anos depois, numa brigada de incêndio aqui no prédio onde moro, os bombeiros passaram alguns slides sobre o incêndio dos dois edifícios. Fiquei chocada com as cenas! Fui convocada no lugar do Gil. Não tive como negar. Os bombeiros já tinham vindo umas duas vezes no prédio e ninguém descia. As mulheres predominaram o grupo. Eramos oito mulhres e dois homens.
 Na mesma semana, após a brigada ,  passou na tv o filme "Inferno na Torre". Não assisti no cinema porque não gosto de filmes deste tipo. Fico deprimida em pensar que não somos nada diante de uma catástrofe!  Mas depois das imagens que vi, na brigada,  resolvi assistir. Fiquei bem impressionada e memorizei cada informação que os bombeiros passaram na brigada do prédio. Posteriormente vou contar um fato cômico e quase trágico que vivi no Rio de Janeiro com o Gil, por causa de tanta informação recente sobre como agir em caso de incêndio.
Ontem, lendo a reportagem, fiquei  imaginando se na época, existisse celular...

Melhor pecar pelo excesso

Oi pessoal, aqui esta a história que comentei ,ontem,  na nota sobre os cromos do incêndio do edifício Joelma em 1974.

Só para relembrar: Fiz a brigada de incêndio, por livre e espontânea pressão da administração do prédio onde moramos, lembram? Foi mais ou menos há uns 15 ansos atrás. Depois em seguida, conforme comentei, chutei o balde e assisti ao filme "Inferno na torre". Fichinha diante das imagens mostradas pelos bombeiros dos incêndios do Andraus e do Joelma, no centro de São Paulo.

 O Gil ainda trabalhava no banco Nacional e fomos ao RJ para uma série de jantares da diretoria que acontecia todo final de ano. Todas as esposas dos diretores , vice-presidentes e presidentes, incluindo a família Magalhães, participavam. O jantar principal era sempre em hotel 5 estrelas e com a presença de toda a família Magalhães. O Airton Senna sempre estava presente e havia um show com um cantor ou cantora convidados. Tirando a formalidade do jantar com os Magalhães, os demais eram mais descontraídos. Eu, nesta época, tirava uma semana de madame!
Certa vez, num desses encontros, ficamos hospedados no Hotel que o Gil já estava, no centro do Rio. Eramos uns cinco casais da diretoria do banco e combinamos de sair juntos do hotel para o jantar. O encontro seria no hall de entrada, junto ao bar. Eu saí de São Paulo já arrumada e maquiada. Só precisava trocar de roupa no hotel e colocar os acessórios.
 Cheguei uma hora antes do horário combinado. Guardei as coisas no armário, me vesti e quando estávamos para sair, senti um cheiro de coisa queimando. Como vocês sabem meu nariz é animal para detectar cheiros. Fui até a janela e quando o Gil fez mensão de abrí-la, lembrei no ato das informaçãoes dos bombeiros : Jamais abra as janelas, em caso de suspeita de incêndio,  porque o oxigênio atrairá as chamas!
Corri ao encontro do Gil gritando:  _ Nâo! Jamais abra as janelas em caso de suspeita de incêndio!  _ Ele me olhou espantado e irônico mas obedeceu. Estávamos no décimo andar, eu colei o rosto no vidro e não consegui ver nada na rua. O cheiro estava aumentando. O Gil interfonou para  a recepção do hotel e nada de alguém atender. Eu já estava em pânico e recordando cada instrução dos bombeiros. Comentei que se a recepção não estava atendendo é porque o incêndio era em baixo. Talvez no térreo...
Saímos do quarto, foi a vez do elevador:  _  Não! Jamais pegue elevador em suspeita de incêndio!  _ Fomos de escada e o cheiro mais forte ainda. Descemos dois andares e o Gil lembrou que não havia trancado a porta. Eu desesperada gritei: _ E daí, podem levar tudo! Minhas jóias, dinheiro, cheques, cartão, etc... o importante é sobrevivermos!
O Gil pegou firme no meu braço e voltamos. Assim que chegamos no nosso andar a fumaça já havia inundado tudo. O Gil ficou surpreso e acreditou no meu bom faro e intuição. Mesmo assim conferiu se a porta estava fechada!
Voltamos para as escadas, a cada andar que desciamos vinha um medo enorme de encontrar fogo. Eu rezava e ditava instruçãoes ao mesmo tempo. O Gil manteve a calma o tempo todo. Só que mudo!  Era algo mais ou menos assim:
_ Meu Deus não permita que a gente morra queimado. Pode ser de qualquer outra coisa, menos fogo! Ai minha Nossa Senhora da Aparecida, nos salve do fogo!  - Junto com: _ Xu, não abra nenhuma porta sem antes colocar a mão para ver se esta quente... Antes de abrir devemos ficar atrás da porta e depois andar arrastados pelo chão porque a visibilidade é de dez centímetros apenas , o ar respirável também! Cadê os chuveirinhos que deviam estar nas escadas? E porque ainda não chegou nenhum bombeiro até aqui? Acho que o fogo é mais em baixo, meu Deus, eles não conseguem chegar até nós!  E lá ia eu entre rezas e regras!
Neste momento lembrei-me de uma cena do filme em que um casal sai do quarto do hotel, arrumadíssimos para a festa de inauguração do prédio na cobertura e acabam morrendo queimados tragados pelas labaredas... Rezava para não sermos uma cópia desta cena do filme... Descia sem parar de falar um minuto sobre todas as regras básicas que deveríamos seguir e o Gil mudo, me segurando pelo braço e me arrastando escada abaixo, como se eu fosse uma criança. No primeiro andar encontramos uns bombeiros. Era um princípio de incêndio mesmo, foi na cozinha mas já estava controlado. Ufa! Meu corpo interio amoleceu. Descemos esbaforidos até o térreo. Fomos os únicos a usar as escadas!
Lá chegando, nossos amigos estavam calmos , alegres e bebericando uns drinques. Quando perguntamos se eles tinham sentido cheiro de fumaça eles disseram que sim mas nem se ligaram na possibilidade de ser um incêndio. Desceram normalmente pelo elevador. Eu estava suada, descabelada e em pânico!  A sorte foi que, antes de sair do quarto, não lembrei da instrução básica de molhar umas toalhas de banho e colocar sobre o corpo!  Se tivesse lembrado, já imaginaram como estaríamos para o jantar?
Durante boa parte do jantar o assunto foi sobre incêndio nos prédios do Rio. Eu quase não escutava nada e estava ainda anestesiada pelo susto. Quando voltamos para o hotel, olhei em volta e vi, um mundo de cortinas de tecido, colchas de babados e mil coisas que facilmente queimariam propagando o incêndio rapidamente por todo o quarto. A janela não tinha para peito e talvez nem fosse fácil de abrir por causa do ar condicionado. Havia, sim, chuveirinhos no teto. Será que funcionavam só com a fumaça entrando?
A fumaça logo invadiu o corredor onde estávamos porque subiu pelas entradas de ar condicionado. Foi incrível a rapidez entre sentir o cheiro e  ver a fumaça. Não demorou mais de dois minutos entre descer dois andares e subir de volta!
Bem.. De duas coisas eu tenho certeza: Em caso de vida ou morte que se danem os bens materiais e, com certeza alguém me daria uma pancada na cabeça para parar de falar!

Cheguei

Escolhi, como estrèia, uma pequena crônica sobre um acontecimento que vivenciei no Rio de Janeiro por volta de 1996.

Espero conseguir manter este blog sempre atualizado e a minha mente repleta de novidades para partilhar com meus fiéis leitores.

Sempre com vocês, Cidinha.