Queridos Leitores

Queridos Leitores, abri este blog para publicar minhas pequenas crônicas do cotidiano e outros escritos que já conquistaram meus fiéis amigos e amigos de amigos. Quando fico um tempo sem enviar algo, estes meus fiéis leitores reclamam. Por incentivo deles, resolvi tornar público estes escritos descontraídos. Grande parte das crônicas, são os infinitos micos ou saias justas que já fazem parte da minha personalidade. Sempre com vocês, Cidinha.


terça-feira, 22 de novembro de 2011

Mania de grandeza

Uma característica marcante na família Olivares, meu lado materno, é a capacidade de dar respostas rápidas e elegantes para qualquer tipo de assunto. Minha mãe não poderia ser diferente, tinha sempre uma resposta na ponta da língua para tudo!
Certa vez, na festa de final de ano da escola infantil do meu sobrinho mais novo, Daniel, fizeram um teatro representando o nascimento de Jesus, com os alunos do pré primário.
Pais, tios, irmãos, padrinhos, amigos e todos os babões da família, disputavam a fila do gargarejo - quase sempre reservada para pais e avós, mas que na realidade não funciona assim. Quem chega primeiro vai logo sentando e guardando lugar para os demais parentes. Portanto se você é um babão convicto, deve ser um dos primeiros a chegar.
Mamãe era ariana e super pontual. Em se tratando de ver os netos no palco, não havia a menor chance dela chegar atrasada, ficava pronta duas horas antes e controlava o horário de todos os membros da casa, para não se atrasarem.
Chegamos  antes do horário e encontramos um bom lugar na terceira fila de cadeiras, bem no centro do teatro. Ao lado da minha mãe, sentou-se uma senhora muito simpática e falante, A felicidade por ver seu neto no palco, estava estampada em seu rosto com um sorriso de orelha à orelha. Minha mãe cordial mas discreta, a ouvia atentamente; _ meu neto é isto, meu neto é quilo, etc e tal.
Num dado momento a senhora avó coruja de carteirinha disse:  _ Meu neto é Jesus! 
Minha mãe, muito rápida retrucou orgulhosa:  _Meu neto é Deus!
A mulher calou-se, um tanto surpresa e ficou olhando para o palco à espera do início do espetáculo.
Eu, ao lado das duas, precisei respirar fundo para não morrer de tanto rir! 

Cidinha.

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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A Cinta Liga

Uma foto do centro de São Paulo, na década de 70, que um amigo publicou no Face recentemente, me fez lembrar das muitas histórias que vivi nas ruas do Centro neste mesmo período.
São histórias, como sempre hilárias depois que passam, como a de uma enorme cagada de pomba no meu longo cabelo longo e escuro, na porta do Bank Boston, em pleno horário de expediente, do assaltante que na verdade era um tarado( esta é boa!), do velhinho Gabiru ( gíria da época ),  que adorava pegar no meu braço para ajudá-lo a atravessar a rua e depois pedia um beijinho no vovô, ou os office boys com seus malditos elásticos de dinheiro e clipes atirados na minha bunda . Porém a melhor delas, tirando a do ladrão que era um tarado, foi a da cinta liga x mini saia com dois palmos de altura.

Em 1970 eu trabalhava na Rua 24 de Maio. Descia do´ônibus na antiga Praça Clóvis e caminhava até a 24 de Maio, atravessando a Praça da Sé, Rua Direita, Viaduto do Chá e mais até chegar na esquina com a Avenida Ipiranga. Nesta época, mesmo com um frio de zero graus, calças compridas eram proibidas no trabalho. As saias eram mini, mini, mini e ainda "Saint tropez". A minha devia ter uns dois palmos de altura. As sandálias da moda eram de salto grosso e plataforma , permitidas no verão. Porém geralmente usava sapato de salto tipo Anabela com meia fina. Detalhe: não existia meia calça. As meias eram presas com cinta liga. Esta era presa na cintura com ganchos de metal. Quatro tiras com presilhas desciam até o início da coxa e prendiam as meias.

Certa vez, em plena Rua Direita, a maldita cinta liga soltou-se da cintura e caiu. Não dava para andar, nem para prendê-la sem paralisar todos os transeuntes. Muito menos para encostar numa parede livre. Os vão livres que não eram porta de lojas, geralmente eram ocupados por homens portando placas de propaganda,  presa nas costas e frente, vendendo e comprando ouro, foto de documento e chapa do pulmão.Levantar a saia no meio da rua e pedir para alguém prender a maldita no lugar, nem pensar. Sem olhar pra nenhum lado, resolvi o problema ali, no meio da rua mesmo; tirei um pé do sapato, puxei a meia, tirei o outro pé e enrolei a maldita cinta com as meias.Coloquei a desgraçada na bolsa , calcei os sapatos e saí  com passos rápidos, quase correndo, até o meu destino, com olhos cegos e ouvidos surdos!  Mesmo assim deu para perceber que o transito de gente parou e meus ouvidos surdos escutaram por muito tempo os assovios e gracinhas da ala masculina que teimava em ser solidária e me acompanhar até quase o final da rua. Não entrei na primeira loja que encontrei porque estava em cima da hora e o meu patrão, um alemão, esquentado e taurino era muito rígido com horários.

Quando cheguei no escritório, estava com uma imensa bolha nos calcanhares, suada e ofegante. Sem descer do salto, cumprimentei o Sr. Blum, meu patrão. Dei uma ajeitada na papelada da mesa. Peguei o expediente do dia e corri para o banheiro para gargalhar até quase morrer de tanto rir. Minhas colegas de trabalho, estranhando a minha seriedade fora do comum, foram chegando e fizemos um trio com tanta gargalhada que o Sr. Blum foi checar o que estava acontecendo. Todas dissemos que eu precisava de um bandaid. Ele saiu sem entender nada e meio em dúvida sobre o estado mental saudável de suas funcionárias. Por pouco não fomos demitidas!
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Cidinha.