Queridos Leitores

Queridos Leitores, abri este blog para publicar minhas pequenas crônicas do cotidiano e outros escritos que já conquistaram meus fiéis amigos e amigos de amigos. Quando fico um tempo sem enviar algo, estes meus fiéis leitores reclamam. Por incentivo deles, resolvi tornar público estes escritos descontraídos. Grande parte das crônicas, são os infinitos micos ou saias justas que já fazem parte da minha personalidade. Sempre com vocês, Cidinha.


sábado, 17 de setembro de 2011

Lembranças

por Aparecida Orozco Corrêa, sexta, 2 de setembro de 2011 às 03:05
Ontem, lendo a FSP, caderno Ilustrada, vi uma reportagem sobre os 37  cromos,  esquecidos pelo tempo,  sobre o incêndio do Edifício Joelma, em São Paulo. Imediatamente voltei no tempo e relembrei exatamente como recebí a notícia.
Na época eu e Gil morávamos no RJ. No dia fatídico, eu estava com uma baita cólica menstrual e passei o dia na cama sem ligar a tv. Não tinhamos telefone fixo e celular não existia...O Gil chegou à noitinha, todo apressado e surpreso por eu não estar pronta para partirmos para São Paulo. Foi aí que fiquei sabendo do incêndio.Enquanto arrumava as coisas, via na tv as imagens e os comentários. Tudo em branco e preto!
Tinhamos vários amigos trabalhando no prédio, incluindo a minha amiga Marilene. Pegamos um ônibus na rodoviária e partimos o mais rapido possível para a casa dos meus pais. Foi um alívio saber que a Marilene estava bem e em casa. Nossos outros amigos e colegas de trabalho do Gil, também.
O incêndio foi no dia primeiro de Fevereiro de 1974. Interessante que só agora me dei conta do dia da minha última regra antes de engravidar da Pat...Fiquei grávida em Fevereiro e ela nasceu em 18 de Novembro de 1974 .
A minha amiga, Marilene, foi resgatada pelos bombeiros, de helicóptero,  no telhado do prédio. Ela estava, o tempo todo,  com duas amigas de braços dados. Ambas morreram no incêndio, infelizmente.Na corrida para fugir das labaredas, uma delas caiu na lage. A temperatura da lage derreteu bronze. Isto significa que estava mais de 900 graus centígrados! A outra se atirou ou caiu do prédio. A Marilene salvou-se porque ficou calma e lúcida o tempo todo. Ficou com um grupo que se revesava para respirar, deitando no chão embaixo das pernas de outro colega. Minha amiga disse que quando era a sua vez de deitar,  ela se imaginava numa praia e o calor era o sol. Foi assim que manteve o equilíbrio emocional o tempo todo. Salvou até a bolsa com os documentos!
No edifício funcionava a Crefisul, ligada ao City Bank (Citibank). Se o Gil não tivesse sido transferido temporariamente para o Rio, poderia estar no prédio neste dia...
Dois anos antes, teve o incêndio no edifício Andraus. Assisti tudo pela janela do escritório da Braswey, na rua São Bento, onde trabalhava. Foi terrível! Vi "roupas" sendo atiradas do alto. Mais tarde soube que essas "roupas" eram pessoas.
Eu trabalhava no 15o andar do prédio que ficava na rua São Bento e tinha saída para a rua Casper Líbaro, ao lado do prédio Mertinelli. Lembro-me de uma secretária da diretoria que levou uma corda para o trabalho por prevenção. Todos ficamos um bom tempo apreensivos com a possibilidade de um incêndio no nosso prédio.
O incêndio destes dois edifícios, num prazo de dois anos, foi muito marcante. Quase todos que trabalhavam nos edifícios do centro de São Paulo, ficaram preocupados com a precariedade na questão da segurança contra incêndios nos prédios do centro de São Paulo.
Depois de reformado, a Crefisul voltou a funcionar no Edifício Joelma. No Citi havia comentários de "assombração" no Joelma. Diziam que tarde da noite, os elevadores subiam sozinhos e desciam, sem ninguém dentro.
Anos depois, numa brigada de incêndio aqui no prédio onde moro, os bombeiros passaram alguns slides sobre o incêndio dos dois edifícios. Fiquei chocada com as cenas! Fui convocada no lugar do Gil. Não tive como negar. Os bombeiros já tinham vindo umas duas vezes no prédio e ninguém descia. As mulheres predominaram o grupo. Eramos oito mulhres e dois homens.
 Na mesma semana, após a brigada ,  passou na tv o filme "Inferno na Torre". Não assisti no cinema porque não gosto de filmes deste tipo. Fico deprimida em pensar que não somos nada diante de uma catástrofe!  Mas depois das imagens que vi, na brigada,  resolvi assistir. Fiquei bem impressionada e memorizei cada informação que os bombeiros passaram na brigada do prédio. Posteriormente vou contar um fato cômico e quase trágico que vivi no Rio de Janeiro com o Gil, por causa de tanta informação recente sobre como agir em caso de incêndio.
Ontem, lendo a reportagem, fiquei  imaginando se na época, existisse celular...

Melhor pecar pelo excesso

Oi pessoal, aqui esta a história que comentei ,ontem,  na nota sobre os cromos do incêndio do edifício Joelma em 1974.

Só para relembrar: Fiz a brigada de incêndio, por livre e espontânea pressão da administração do prédio onde moramos, lembram? Foi mais ou menos há uns 15 ansos atrás. Depois em seguida, conforme comentei, chutei o balde e assisti ao filme "Inferno na torre". Fichinha diante das imagens mostradas pelos bombeiros dos incêndios do Andraus e do Joelma, no centro de São Paulo.

 O Gil ainda trabalhava no banco Nacional e fomos ao RJ para uma série de jantares da diretoria que acontecia todo final de ano. Todas as esposas dos diretores , vice-presidentes e presidentes, incluindo a família Magalhães, participavam. O jantar principal era sempre em hotel 5 estrelas e com a presença de toda a família Magalhães. O Airton Senna sempre estava presente e havia um show com um cantor ou cantora convidados. Tirando a formalidade do jantar com os Magalhães, os demais eram mais descontraídos. Eu, nesta época, tirava uma semana de madame!
Certa vez, num desses encontros, ficamos hospedados no Hotel que o Gil já estava, no centro do Rio. Eramos uns cinco casais da diretoria do banco e combinamos de sair juntos do hotel para o jantar. O encontro seria no hall de entrada, junto ao bar. Eu saí de São Paulo já arrumada e maquiada. Só precisava trocar de roupa no hotel e colocar os acessórios.
 Cheguei uma hora antes do horário combinado. Guardei as coisas no armário, me vesti e quando estávamos para sair, senti um cheiro de coisa queimando. Como vocês sabem meu nariz é animal para detectar cheiros. Fui até a janela e quando o Gil fez mensão de abrí-la, lembrei no ato das informaçãoes dos bombeiros : Jamais abra as janelas, em caso de suspeita de incêndio,  porque o oxigênio atrairá as chamas!
Corri ao encontro do Gil gritando:  _ Nâo! Jamais abra as janelas em caso de suspeita de incêndio!  _ Ele me olhou espantado e irônico mas obedeceu. Estávamos no décimo andar, eu colei o rosto no vidro e não consegui ver nada na rua. O cheiro estava aumentando. O Gil interfonou para  a recepção do hotel e nada de alguém atender. Eu já estava em pânico e recordando cada instrução dos bombeiros. Comentei que se a recepção não estava atendendo é porque o incêndio era em baixo. Talvez no térreo...
Saímos do quarto, foi a vez do elevador:  _  Não! Jamais pegue elevador em suspeita de incêndio!  _ Fomos de escada e o cheiro mais forte ainda. Descemos dois andares e o Gil lembrou que não havia trancado a porta. Eu desesperada gritei: _ E daí, podem levar tudo! Minhas jóias, dinheiro, cheques, cartão, etc... o importante é sobrevivermos!
O Gil pegou firme no meu braço e voltamos. Assim que chegamos no nosso andar a fumaça já havia inundado tudo. O Gil ficou surpreso e acreditou no meu bom faro e intuição. Mesmo assim conferiu se a porta estava fechada!
Voltamos para as escadas, a cada andar que desciamos vinha um medo enorme de encontrar fogo. Eu rezava e ditava instruçãoes ao mesmo tempo. O Gil manteve a calma o tempo todo. Só que mudo!  Era algo mais ou menos assim:
_ Meu Deus não permita que a gente morra queimado. Pode ser de qualquer outra coisa, menos fogo! Ai minha Nossa Senhora da Aparecida, nos salve do fogo!  - Junto com: _ Xu, não abra nenhuma porta sem antes colocar a mão para ver se esta quente... Antes de abrir devemos ficar atrás da porta e depois andar arrastados pelo chão porque a visibilidade é de dez centímetros apenas , o ar respirável também! Cadê os chuveirinhos que deviam estar nas escadas? E porque ainda não chegou nenhum bombeiro até aqui? Acho que o fogo é mais em baixo, meu Deus, eles não conseguem chegar até nós!  E lá ia eu entre rezas e regras!
Neste momento lembrei-me de uma cena do filme em que um casal sai do quarto do hotel, arrumadíssimos para a festa de inauguração do prédio na cobertura e acabam morrendo queimados tragados pelas labaredas... Rezava para não sermos uma cópia desta cena do filme... Descia sem parar de falar um minuto sobre todas as regras básicas que deveríamos seguir e o Gil mudo, me segurando pelo braço e me arrastando escada abaixo, como se eu fosse uma criança. No primeiro andar encontramos uns bombeiros. Era um princípio de incêndio mesmo, foi na cozinha mas já estava controlado. Ufa! Meu corpo interio amoleceu. Descemos esbaforidos até o térreo. Fomos os únicos a usar as escadas!
Lá chegando, nossos amigos estavam calmos , alegres e bebericando uns drinques. Quando perguntamos se eles tinham sentido cheiro de fumaça eles disseram que sim mas nem se ligaram na possibilidade de ser um incêndio. Desceram normalmente pelo elevador. Eu estava suada, descabelada e em pânico!  A sorte foi que, antes de sair do quarto, não lembrei da instrução básica de molhar umas toalhas de banho e colocar sobre o corpo!  Se tivesse lembrado, já imaginaram como estaríamos para o jantar?
Durante boa parte do jantar o assunto foi sobre incêndio nos prédios do Rio. Eu quase não escutava nada e estava ainda anestesiada pelo susto. Quando voltamos para o hotel, olhei em volta e vi, um mundo de cortinas de tecido, colchas de babados e mil coisas que facilmente queimariam propagando o incêndio rapidamente por todo o quarto. A janela não tinha para peito e talvez nem fosse fácil de abrir por causa do ar condicionado. Havia, sim, chuveirinhos no teto. Será que funcionavam só com a fumaça entrando?
A fumaça logo invadiu o corredor onde estávamos porque subiu pelas entradas de ar condicionado. Foi incrível a rapidez entre sentir o cheiro e  ver a fumaça. Não demorou mais de dois minutos entre descer dois andares e subir de volta!
Bem.. De duas coisas eu tenho certeza: Em caso de vida ou morte que se danem os bens materiais e, com certeza alguém me daria uma pancada na cabeça para parar de falar!

Cheguei

Escolhi, como estrèia, uma pequena crônica sobre um acontecimento que vivenciei no Rio de Janeiro por volta de 1996.

Espero conseguir manter este blog sempre atualizado e a minha mente repleta de novidades para partilhar com meus fiéis leitores.

Sempre com vocês, Cidinha.