Queridos Leitores

Queridos Leitores, abri este blog para publicar minhas pequenas crônicas do cotidiano e outros escritos que já conquistaram meus fiéis amigos e amigos de amigos. Quando fico um tempo sem enviar algo, estes meus fiéis leitores reclamam. Por incentivo deles, resolvi tornar público estes escritos descontraídos. Grande parte das crônicas, são os infinitos micos ou saias justas que já fazem parte da minha personalidade. Sempre com vocês, Cidinha.


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O PIVÔ DA MAMÃE

Logo após escrever " SEIS ANOS" comecei a relembrar vários outros fatos da minha infância. Um em especial , dentro da perspectiva tragicômica, , não poderia deixar passar:  O PIVÔ DA MAMÃE.

Minha mãe tinha um dente pivô, era o incisivo superior. Esse dente vivia caindo e toda vez que isto acontecia, minha mãe surtava. Saia com a mão na boca e gritando: Perdi meu dente! Perdi meu dente!Ninguém se mexe! Me ajudem! Cuidado para não pisar nele! E outras coisas parecidas... Grande parte das vezes era por causa de alguma coisa engraçada que a minha irmã chegava contando. Quase todos os dias a minha irmã - única e doze anos mais velha- chegava com um "causo" engraçado que havia acontecido no trabalho. Elas caiam na risada e a piada logo se transformava em tragédia por causa do pivô voador!
Eu, sendo criança, com boas pernas e coluna novinha era sempre requisitada por livre e espontânea força a procurar o pivô em baixo dos móveis. Até o dente aparecer,  minha mãe não parava de esbravejar e culpar a minha irmã por tê-la feito rir demais! Achado o dente, ela o lavava na pia, colocava no lugar e começava a rir novamente, não da piada mas do acontecido. Como vocês podem perceber, eu e minha irmã somos duas sobreviventes ...

Uma vez, acho que tinha uns cinco anos, minha mãe roubou um pedaço do quebra queixo que eu estava comendo. Assim que o doce voltou para minha mão, vi um pedaço de coco enorme e tratei de colocá-lo na boca antes que a minha mãe pedisse outro pedaço. Achei o coco duro demais e cuspi. No mesmo instante a minha mãe gritou: Meu dente! Acho que engoli o meu dente! Ai meu Deus!   Para tranquilizá-la fui logo mostrando a mão com o doce cuspido e o dente no meio. Ela andava de um lado para o outro e não via a minha mão. Quando parou de surtar, viu o dente na minha mão e começo a me abraçar e beijar gritando: Graças a Deus, você não engoliu meu dente!

Outra vez que ficou bem gravada na minha memória foi quando o dente dela pulou da boca quando ela estava conversando comigo. Estávamos voltando de algum lugar e chovia muito. Era chuva de verão, com aquelas pancadas repentinas e intensas. O dente caiu na enxurrada e foi ladeira abaixo. Antes que ela gritasse, saí em disparada e cerquei a terra antes do dente chegar. Fiquei lá cercando o barro até ela verificar se o dente estava lá. Não é que estava! Isto só foi possível porque a rua em que morávamos era sem asfalto.
 Ela só parou de ter este problema quando caiu na rua e bateu com a boca na calçada, quebrando os dentes. Daí colocou dentadura na parte de cima e terminou com esta tragédia do pivô.
Só para esclarecimento, minha mãe teve um AVC com 29 anos  e perdeu a parte do equilíbrio. Vivia caindo e quando isto acontecia ela não tinha o impulso automático de colocar a mão na frente, Caia direto como se não tivesse braços!  Seus tombos sempre foram trágicos, nem dava para rir. Mas isto nunca impediu que ela tivesse uma vida normal e ainda outro filho, eu, contrariando a todos da família.

Cidinha.


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3 comentários:

Cidinha disse...

Resposta do Marcelo:







> Quanto ao carisma da vovó e essa alegria que ela conseguia passar nas fotos,

> condiz totalmente com o senso de humor que ela manteve até o fim. Ela nunca

> perdeu a capacidade de rir das coisas e de brincar, nem mesmo com todos os

> épicos de drama rocambolesco que ela passou na vida desde jovem. Isso era

> admirável. Ainda é.

Cidinha disse...

Oi CHEQUETÉZIMA,

atualizei a leitura do seu 'blog'. Rí até ----- faer bico, só por Deus!!!!!!!!!

Adorei, adorei, não deixe de postar suas crônicas, combinadas?

Carinhos sempre,

sua fã

arlete.

Cidinha disse...

Lydia Zoboli Cidinha, que texto! A sua cara. Esperto, inteligente e com um olhar amoroso e sensível sobre suas lembranças.